Como não tem muito material sobre isso por aí, principalmente na internet, resolvi colocar aqui pra quem por ventura quiser consultar ou tiver alguma curiosidade. A maioria das informações nós conseguimos em uma tese de doutorado da Dr. Guiomar de Oliveira Passos. O trabalho dela está disponível na biblioteca central da UFPI.
Por ter sido feito com a pressa da última hora, e também por contar somente com uma única fonte principal, não sei bem se todas as datas estão corretas ou se há contradições. NÃO É um documento científico e foi feito unicamente para obter nota na disciplina.
Vou colocar em pedaços para diminuir a prolixidade que por acaso possa aparecer. Aqui, a primeira parte:
SURGIMENTO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ
1. Principio e primeira tentativa
Desde a criação da Faculdade de Direito do Piauí, no ano de 1931, pensava-se na criação de uma universidade no Piauí. Mas devido ao isolamento geográfico e cultural do Estado, este pensamento não foi efetivado neste primeiro momento.
Pouco mais de trinta anos depois, em 1963, inspirados na reforma universitária e na criação da Universidade de Brasília (1961, instaurada no governo de João Goulart), a União Estadual dos Estudantes do Piauí, liderados pelo estudante Oston Teixeira Diniz, decide lutar pela criação de uma universidade piauiense.
Esse primeiro passo dado pela UEE do Piauí foi seguido por diversos componentes sociais do Estado. A Igreja, por exemplo, que criara anos antes a Faculdade Católica de Filosofia, se mostrava simpática à empreitada. Além disso, o apoio à criação de Universidade contava com a participação de deputados e senadores, todos ansiosos por um ensino superior unificado no Estado.
Outro espaço importante de luta por uma universidade piauiense foi a imprensa. No jornal ´´O Dia``, por exemplo, foi publicado, dentro do espaço reservado ao Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito, o lema da luta: ´´O PIAUÍ EXIGE A CRIAÇÃO DE SUA UNIVERSIDADE`` Nesse primeiro momento, aliás, a imprensa foi de suma importância. A idéia de uma universidade se dava através de textos publicados em colunas de jornais por estudantes e intelectuais, como é o caso da ´´Retalhos Universitários``. Este espaço em jornais era usado principalmente para alcançar o movimento social.
Além disso, havia pressão dos estudantes sobre os parlamentares, que como já dito corroboravam com a idéia de criação de uma Universidade. Havia também outra classe participante, a dos professores, que gozando de muito prestígio social fizeram com que a sociedade cada vez mais se entusiasmasse com a idéia. Um destes professores foi o atual deputado Wilson Brandão (na época das lutas pela universidade, era diretor da Faculdade de Direito e professor) que afirmou que sua classe foi arauto desta bandeira e se engajou plenamente no movimento de reivindicação (GUIOMAR, 2003, p40). Outros professores atuantes foram Simplício de Souza Mendes, desembargador e presidente da Academia Piauiense de Letras e Raimundo Nonato Monteiro de Santana, presidente da CODESE, órgão de Planejamento do Estado, que também publicavam artigos em jornais em prol de uma universidade.
A repercussão desse movimento apoiado por várias entidades sociais tomou uma amplitude tão grande que culminou com a criação, em outubro de 1963, do Comitê Pró-Universidade do Piauí, tendo como presidente Wilson Brandão. Na época, Raimundo Nonato Monteiro de Santana procurou convencer o então governador do Piauí, Petrônio Portela, a assumir a liderança pela criação da universidade. Em artigo para o jornal, ele escreveu:
´´Todo movimento precisa de um comando, estou certo de que o governador Petrônio Portela, animado do propósito de bem servir o Piauí, neste momento deve estar reformulando seu plano e estabelecendo as bases de sua participação e comando na luta pela Universidade que os grupos mais politizados do Estado estão exigindo``
Quem ajudou também o movimento Pró-Universidade foi a UNE, União Nacional dos Estudantes, que escrevia telegramas para o presidente da República, João Goulart, para o governador Petrônio Portela e para o ministro da educação e cultura.
O movimento ganhou caráter mais palpável, quase a conseguir seu objetivo, já em janeiro de 1964, quando é aprovada a Lei nº2567 pelo governador Petrônio Portela que autorizava a organização, em Fundação, da Universidade do Piauí, a UEP. Infelizmente, a empreitada não deu certo... Vários foram os fatores, dentre eles destaca-se a falta de gerenciamento; desconhecimento dos aspectos legais que implicavam na implantação da Universidade; poucas Faculdades para agregar, tendo poucos cursos que por Lei eram exigidos para a criação da instituição; o próprio Ministério da Educação acreditava que o movimento não tinha força para efetivar-se.
Outra coisa que não ajudou na realização deste ‘sonho’ da sociedade, foi o Golpe Militar. Mesmo com a autorização do governador Petrônio Portela, a instabilidade política do período não facilitou a concretização do plano de criação da Universidade. Acontece que houve, por causa do regime militar, a dissociação das diretorias das entidades estudantis e prisão de alguns líderes. Na mesma situação de desintegração se encontrou o Comitê Pró-Universidade do Piauí, ficando calado inativo até meados de 1965.


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